RESILIÊNCIA, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AGÊNCIA FEMININA: UMA ANÁLISE DECOLONIAL DA DIGITALIZAÇÃO EM ANGOLA

Autores

  • Alzira Diogo Machado Portugal

Palavras-chave:

digitalização, agência feminina, economia informal, decolonialidade, Angola, informalidade algorítmica.

Resumo

A economia angolana atravessa um processo de digitalização crescente, frequentemente apresentado como um vetor de modernização e resiliência económica. Este artigo questiona se as ferramentas digitais promovem uma transformação estrutural no poder económico das mulheres angolanas ou se apenas otimizam a sua inserção num sistema que permanece desigual. Partindo de uma metodologia de pesquisa documental e de revisão sistemática da literatura, a análise cruza dados estatísticos de organismos internacionais com quadros teóricos do feminismo africano decolonial, nomeadamente o Nego-feminism de Nnaemeka (2004), o Stiwanism de Ogundipe-Leslie (1994) e as críticas de Oyewumi (1997) às categorias ocidentais de organização social. Os resultados evidenciam que, embora ferramentas como o WhatsApp, o Mobile Money e o AfriGPT ampliem a capacidade de ação das mulheres na economia informal, este ganho operacional não altera as condições estruturais de acesso ao crédito, à proteção social e ao reconhecimento institucional. O caso das zungueiras ilustra este paradoxo: a visibilidade digital coexiste com a precariedade estrutural e com a invisibilidade algorítmica produzida por sistemas concebidos segundo parâmetros formais alheios às lógicas económicas africanas. Conclui-se que a digitalização em Angola opera sob um paradigma de eficiência sem transformação, e que modelos de crescimento verdadeiramente resilientes exigem políticas públicas que valorizem a informalidade e desconstruam hierarquias documentais.

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Publicado

2026-03-13

Como Citar

Machado, A. D. (2026). RESILIÊNCIA, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AGÊNCIA FEMININA: UMA ANÁLISE DECOLONIAL DA DIGITALIZAÇÃO EM ANGOLA. ALBA - ISFIC Research and Science Journal, 1(11), 312–324. Obtido de https://alba.ac.mz/index.php/alba/article/view/1037